Tuesday, May 30, 2006

Palavrórios

Fala-se muito em disciplinar as regras do jogo, fala-se muito em torná-las mais estritas, restritas, transparentes, tudo porque numa competição em que a ética não entra nem como figura decorativa, as regras devem ser mesmo muito rigorosas. Poder-se-ia criar mesmo uma lei sobre isso: quanto mais canalhas forem os contendores, mais rigorosas, menos elásticas devem ser as leis do jogo.

É certo supor que numa competição onde reine a ética, certas normas são até dispensáveis, aquelas que os contendores já trazem do berço. Mas, quando se trata de disciplinar disputas entre canalhas, o bom é se prever a ocorrência de qualquer jogada suja, porque a presunção de que ele possa ocorrer é quase uma certeza. Não basta subtender-se que "enfiar o dedo no olho do adversário" é jogada suja, precisa um dispositivo dizendo isso e a previsão de sanções para quem praticar o ato.

Isso tudo porque ninguém pode dar aquilo que não têm, ninguém pode ter um comportamento ético se não tem uma vida regrada por ela. No nosso caso somos todos culpados, somos todos dominados por essa inclinação pelo mal, e faremos o mal, a não ser que sejamos muito bem controlados, muito bem vigiados. Lembram daquele ditado que diz "a ocasião faz o ladrão"? Para não sermos só tem um jeito: não nos dêem a ocasião!

Wednesday, May 24, 2006

O Segredo

O segredo é escrever pouco e dizer muito: muito! Brincadeira, mas encerra uma verdade. O poder de concisão é uma virtude, uma necessidade nesse mundo em que todos tem pressa: pressa! O tempo urge, pois qualquer um sabe que hoje o tempo passa mais depressa, na outra ponta, a vida é curta: curta!

Uma vida curta exige muita pressa!

Tuesday, May 16, 2006

A esperança

Um vez fui classificado como uma espécie de cavaleiro da desesperança por uma leitora, por alguém que comentou um dos meus blogs. Eu entendi perfeitamente a posição da leitora, alguém jovem, que ainda não viveu esse tanto de anos que eu vivi, que ainda não leu esse tanto que já li, que ainda não ouviu esse tanto de promessas que já ouvi, que ainda não se decepcionou esse tanto que eu me decepcionei.

Ela tinha a sua razão, cada um tem direito de viver as suas próprias decepções, sem que alguém antecipe aquilo que ela vai passar, só pela experiência que tem da vida. Soa com dizer a uma criança que somos mortais, que um dia todos nós vamos morrer, o típico caso da verdade dita fora de hora, ou na hora imprópria. Ocorre que, a única diferença é que eu não estava dizendo aquilo especificamente para ela, eu não mirei a criança quando escrevi, mas é difícil - para não dizer que é impossível - saber quem será atingido pelo que se escreve nessa grande rede.

Deveria haver uma maneira de colacar uma espécie de filtro, algo que impedisse o imaturo, ou o não preparado de ler aquilo que não está no seu nível, ao seu alcance. Ainda não temos tecnologia para isso, mas, quem sabe, um dia chegaremos lá, uma espécia de scanner que, examinando o olho de quem está frente ao monitor, só libere o conteúdo que lhe é apropriado.

Só como uma nota, um adendo ao assunto, veja o quanto somos um país "sui generis": agora mesmo, nesse exato momento, o locutor de um noticiário televisivo interrompeu o programa, para dar uma edição extraordinária. Eu logo pensei em alguma coisa grave no país. Não era, era a convocação da seleção de futebol de PORTUGAL!, isso mesmo que você leu, a convocação da seleção de Portugal! Qual outro país faria isso? Interromper um jornal, para dar em edição extraordinária, a leitura da relação dos atletas convocados de Portugal! Definitivamente DeGaulle tinha razão, esse não é um país sério!

Voltando ao assunto anterior, só para concluir, o assunto que irritou a moça que fez o comentário citado, foi que eu escrevi que o Brasil era o País do Futuro do Pretérito, posto que esse futuro prometido há décadas nunca se tornava uma realidade do presente, ia sendo adiado indefinidamente.

Thursday, May 11, 2006

Sanguessuga.

Não enche - Caetano Veloso
Harpia, aranha
sabedoria de rapina e de enredar, de enredar.
Perua, piranha
minha energia é que mantém você suspensa no ar
Pra rua!, se manda
sai do meu sangue, sanguessuga, que só sabe sugar.
Pirata, malandra
me deixa gozar, me deixa gozar
me deixa gozar, me deixa gozar.


Uma sanguessuga é um anelídeo da sub-classe Hirudinea (também chamados aquetas) que se alimenta de sangue de outros animais (hematófago). São animais hermafroditos, desprovidos de cerdas e que possuem ventosas para sua fixação. São assim chamados por produzirem uma substância anticoagulante denominada hirudina. Existem mais de 300 espécies.

Alimenta-se do sangue das suas vítimas. Pode ingerir uma quantidade de sangue 10 vezes superior ao seu próprio volume. Ao aderir ao corpo do ser vivo de que se alimenta, segrega um anticoagulante que leva o sangue a circular sem estancar. A sanguessuga não é apenas hematófaga, muitas espécies podem ser predadoras alimentando-se de vermes, caramujos e larvas de insetos.

Podem ser encontradas em todo o mundo, geralmente na água doce. Existem também algumas espécies marinhas e outras que vivem na lama. Nas zonas tropicais existem espécies arbóreas que caem sobre as vítimas. Preferem lagos, lagoas, rios calmos de água quente.

Tuesday, May 02, 2006

Sem remédio

Usar como forma de protesto a greve de fome parece um retrocesso numa sociedade que se diz civilizada. A não ser que alguém me convença do contrário, greve de fome tem cheiro de idade média. Imolar-se em prol de uma causa, será esse o sentido de quem inicia uma dieta com finalidade política? A alegação de quem usa desse mecanismo é o reconhecimento da pequenez ante um grande poder, a alegação de Garotinho se situa nessa linha, segundo ele a grande imprensa quer derrubá-lo.

Teríamos que saber quais são as motivações políticas da imprensa para querer derrubá-lo, quais as vantagens ou qual o medo que teria a imprensa de Garotinho. Responder a uma acusação reail sobre a sua conduta com uma greve de fome não parece ser o meio mais eficiente ou o mais apropriado. A medida pode até render votos junto ao seu eleitorado, ou uma silhueta mais esguia, mas não é a forma própria de defesa de uma acusação - justa ou injusta - contra a sua pessoa.

Há que se considerar que ele não é o único a ser acusado, se todos usassem desse mesmo método nós teríamos uma multidão em regimes de fome. O sem remédio do título, refere-se ao próprio candidato garotinho - que sempre está às voltas com alguma polêmica - e ao PMDB, que na minha acepção é só uma ficção, já não existe mais como partido. Como um grande monstrengo que veio do passado, ele sua uma certa inércia para ainda andar, mas por quanto tempo?

Thursday, April 27, 2006

Notícias

Ainda bem que o termo não vem do inglês, "news", pois as notícias de hoje não são o que se pode chamar de novidades. Na Camara dos Deputados, o presidente, com seu estimulante vozeirão, anunciou que a verba de combustível não pode ultrapassar os 30% do total da verba que cada deputado recebe para as despesas. Convenhamos que é pouco rigorismo para combater mais uma das sacanagens dos excelentissímos senhores dePUTAdos federais. O povo já está de saco cheio dos políticos e das suas maracutais, é uma em cima da outra, a canalhice é interminável.

No julgamento da freira assassinada em Anapu, fez-se a justiça, condenando-se o articulador do crime, aquele que negociou o assassinato da irmã, intermediando mandantes e executores. O único senão em tudo isso é essa participação popular nos julgamentos. Essa presença maciça de ongs, de partidos políticos e de movimentos, que funciona como um argumtno de pressão para que "se faça a justiça" não sei se é coisa boa. A mim me parece, sem entrar em nenhum caso específico, que a justiça deve funcionar com isenção de qualquer forma de pressão.

Na Bolívia, o índio cocalero presidente continua aprontando das suas. Agora está expulsando uma metalúrgica brasileira que estava se instalando no país. Independente das razões que possa ter para motivar a atitude tomada, a declaração de que "não há diálogo, a não ser a nacionalização da empresa". A Petrobrás já está pagando os seus pecados. Segue a trajetória chaviana que usa a democracia para acabar com a democracia, encerra bem a doutrina dos vermilhinhos, certos estão os que dizem "nego em nome dos vossos princípios, os princípios que me exigis em nome dos meus".

Thursday, April 20, 2006

Palavras e palavrões

Sempre gostei de merda. Não, não me entendam mal, não da coisa em si, mas do vocábulo, acho que merda tem uma sonoridade especial, poderia até designar uma coisa boa, algo agradável, mas designa, vocês sabem, só caca, só merda. Tem até uma certa inveja dos atores de teatro, eles desejam merda uns aos outros, para dar sorte. Ao contrário senso, sorvete, por exemplo, apesar de ser uma coisa boa, algo agradável a quatro dos sentidos, aos olhos, ao olfato, ao tato e ao paladar, peca no sentido da audição, sorvete tem som de merda, não da palavra merda, que esta tem som, ao sentido da audição, de sorvete. Sorvete soa como aquilo, como o significado literal de merda, merda merda mesmo.

Assim são as palavras, cada uma com a sua característica. Muita gente fala que saudade é uma palavra bonita, não sei, mas sinto mais saudade quando falo em nostalgia. Querem um outro exemplo de palavrão, no mau sentido? Cabedal! Onde já se viu cabedal! Ele tem um grande cabedal. Quem é que pode com isso? Um palavrão desses deveria ser proibido, deveria ser banito do idioma. Pensando bem, acho que vou fazer um movimento para banir cabedal do nosso idioma.

Acho que os palavrões do momento são mensalão e pizza. Eu até concordo que chamar as mutretas armadas por aquela cambada de sacana de pizza é mau gosto; as pizzas, que são tão saborosas, não mereciam esse triste destino, mereciam melhor sorte. Como diz um grupo de amigo, porque não "buchada de bode"? Combinava mais com essa turma, não acham?

Monday, April 17, 2006

Acordos tácitos

Acordos tácitos - do Lat.tacitu, calado; adj., silencioso; calado; taciturno; secreto; subentendido; implícito. Será esse o nome apropriado? - nunca funcionam direito. Eu faço a minha parte e parto do princípio de que o outro lado fará a sua parte, agirá de acordo com a tradição. Isso deveria funcionar, mas a prática tem demonstrado que não é bem assim, que não tem funcionado.

Lembro uma piada dos tempos da Copa do Mundo de Futebol de 1958 ou 1962, que ilustra bem o funcionamento estes acordos tácitos. Vicente Feola era o técnico da seleção e Garrincha o nosso ponteiro direito. Feola explicava para Garrinha como ele deveria fazer, que ele deveria driblar o lateral esquerdo e cruzar a bola para a área, onde Pelé apareceria para fazer os gols. Garrincha responde para Feola: "Seu Feola, por mim tudo bem, mas já combinaram isso com o lateral deles?"

A oposição tentou celebrar vários desses acordos com a nossa população e, até agora, a coisa não funcionou como ela esperava. Apontou o presidente, indicou-o como o mentor intelectual da prática do mensalão, como o responsável por toda essa armação para continuar no poder. Faltava que a população fizesse a sua parte, desse a resposta: exigindo um impeachment do presidente, ou, na pior das hipóteses, respondesse com uma queda violenta dos percentuais de aprovação de Lula nas pesquisas eleitorais. Resultado: nem numa coisa, nem a outra.

Tudo indicava que deveria ser assim, como num jogo com regras estabelecidas, a uma ação determinada deveria corresponder uma reação apropriada, para uma proposição, deveria haver conseqüências; tudo dentro do que mandam as boas regras da lógica acadêmica; mas eles esqueceram de um pequeno detalhe: era um acordo tácito com o povo, que usa regras lógicas estranhas e diferentes, e esqueceram de combinar isso com esse povo.

Thursday, March 30, 2006

Acontecimentos

Quebraram irregularmente o sigilo bancário do caseiro Francenildo, o que acabou ocasionando a mudança de Ministro da Fazenda, saiu Palocci e entra Mantega, foi lido o relatório da CPMI dos Correios, que incriminou todo mundo e, como se isso fosse possível, ao mesmo tempo, ninguém - pois que ninguém acredita que vá sobrar alguma coisa para alguém nesse paraíso da impunidade -, nosso astronauta foi para o espaço com a sua passagem de 20 milhões de dólares, a baiana Mara ganhou o BBB6, o famoso Picolé de Chuchu é o candidato do PSDB à presidência da república, Garotinho conseguiu fazer mais uma molecagem, derrubando Rigotto e se tornando o candidato à presidência pelo PMDB - ninguém sabe até quando - com a metade dos votos e uma matemática muito da malandra.

E tudo isso aconteceu nesses dez dias, desde o meu último post nesse Bandeide, em que eu falava que o PT se defendia das acusações dizendo que os outros "faziam a mesma coisa". Hoje ouvi a notícia de que o tal de Paulo Okamoto está fugindo dos oficiais de justiça que tentam intimá-lo, partindo-se do conhecido princípio de "quem não deve, não teme", esse é um bom indício de como deve andar a consciência do homem que paga todas as contas do presidente porque é bonzinho.

Escrevi num outro blog sobre a impossibilidade de esperar-se que petistas admitam seus erros, não é do feitio, nem da educação de suas hostes. Eles preferem a tática de que todos fazem a "mesma coisa". Do ponto de vista ético, significa o mesmo que matar alguém e dizer que os presídios estão cheios de gente que fizeram a "mesma coisa". Sabe quando vão se emendar desse jeito?

Monday, March 20, 2006

A tese da mesma coisa

Vale como argumento de defesa a tese de que "os outros também faziam a mesma coisa"? Eu grifei esse mesma coisa porque contido nele estão todos os defeitos seculares, todas as irregularidades que as nossas administrações públicas sempre cometem contra o povo.

Esse "mesma coisa" é um ente podre, em cujo teor se encontra a corrupção, vários crimes, o desrespeito às normas mais elementares da constituição do país, a falta de ética, a mentira aplicada descaradamente no povo, o uso da máquina estatal em proveito próprio, etc.

Para os que estão no poder esse mesma coisa (que equivale a "farinha do mesmo saco") já é considerado um grande argumento de defesa. Ficam contentes nossos governistas quando se defendem ao abrigo da tese da mesma coisa. Aqueles que há alguns anos propugnavam que eram diferentes, que eram os únicos honestos, hoje se satisfazem em ser apenas a "mesma coisa".

Fica difícil pedir voto, propugnar uma reeleição baseada nessa mesma coisa. Qual a vantagem de votar em alguém que propõe a ser "farinha do mesmo saco"? Agora mesmo, quando da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro da "casa dos malvados e das malvadezas - da casa dos mesmas coisas", alguns disseram que outros também havia feito o mesmo, a mesma coisa.

E não foi só com este caso, mas com tudo, com o uso do caixa dois no partido, com o desvio da verba das estatais, com a interferência nos fundos de pensão, com a verba da publicidade governamental, com o uso do aparelho estatal em proveito partidário, com o empreguismo para a cumpanheirada, empregos para filhos e familiares, tudo a sempre a mesma coisa.

Se a intenção é fazer a mesma coisa, eu sugiro que abandonem a política e vão fazer outra coisa na vida...

Monday, March 13, 2006

Que cada um pague a sua conta.

Eu escrevi no outro blog que não preciso mais agir com o que eu chamo de "cinismo da boa convivência". Vocês sabem o que é isso? É o que impede as pessoas de serem 100% honestas, de dizerem o que pensam. Assim, o empregado não pode falar do patrão, o amado não pode falar da amada, o comum mortal não pode falar da autoridade. Todos mentem, aquelas mentirinhas da omissão, a insenceridade necessária a boa convivência.

A mulher chega e te pergunta: - Amor, eu tô mais gorda? E agora? O que você vai responder pra a baleia? Vais dizer a verdade? Se disser a verdade, a baleia vaia virar a cara, não vai falar mais contigo, não vai te dar mais - o que pode até ser um favor! Você tem que resolver, ou ser sincero e enfrentar o mamute, ou aplicar a mentira, o "cinismo da boa convivência".

Esse é só um exemplo, existem centenas de outros exemplos semelhantes. Eu disse no outro blog que já superei essa fase, não tenho mais esse ônus, já paguei o ônus e agora o que vier é bonus. Teve um amigo que fez um comentário meio desaforado, eu sei, é difícil ouvir isso, dá dor de cotovêlo, saber que alguém não precisa mais enfrentar esse tipo de coisa dói. Principalmente quando a gente ainda precisa enfrentar.

Antes da inveja, meu amigo, saiba que eu já paguei a minha conta; feliz ou infelizmente essas contas são pessoais e intransferíveis, assim sendo, que cada um pague a sua. Um abraço e até mais.

Sunday, March 05, 2006

Volta e meia!

A gente, ou eu nesse caso, não é mesmo cara-pálida?, uso a palavra com muita liberalidade, amigo, volta e meia estou chamando de meu amigo alguém que conheço fazem apenas cinco minutos. Um mero vocativo? Um hábito, uma maneira de nomear as pessoas? Um desprestígio com a figura dos amigos? Não, nada tão grave, talvez seja só o vocativo mesmo. Feita esta desnecessária digressão com os meus maus hábitos vocacionais, devo dizer que o objetivo deste post é falar mal dos chamados "espaços vips".

Agora mesmo, no carnaval, e antes um pouco, nos shows das grandes bandas de rock, se viu mais uma vez a proliferação dessas malditas pragas elitistas. Deixa eu colocar algumas coisas antes que você me cruxifique! Sei que é necessário um espaço para que as celebridades possam acompanhar os eventos, questão de bom senso, não dá para querer que eles se misturem no meio da massa. Do jeito que a massa caça os seus ídolos - outra asneira! - sei que é necessário separá-los da massa ignara.

Bom, então voltamos a estaca zero, sem solução, dirão vocês. Não, não necessariamente, se a existência de um espaço adequado se justifica, não é obrigatório uma série de coisas. Vamos aos "que seja", ou aos "que não deveriam ser": que seja no melhor lugar da audiência; que seja gratuito para quem já é abastado; que sejam servidos como se fossem nababos por um séquito de escravos.

Não se pode criar pessoas de primeira e de última classe, essa diferença de tratamento não é justificável. Digo mais, até porque esse conceito de celebridade aqui no Brasil é muito elástico - para dizer pouco! Quantas figuras já foram idolatradas, paparicadas, ensebadas, escovadas e depois se viu que eram uns "171" de primeira classe?

Não gosto de colocar experiências pessoais, mas conto essa. Houve uma época em que eu acompanhava o setor das vídeo-locadoras. Nos congressos, feiras, nos eventos do setor, as grandes produtoras davam a maior atenção a determinado empresário aqui de Porto Alegre. O cara tinha tratamento vip, hospedagem, fazia parte da mesa, etc, vocês sabem como isso funciona. Algum tempo depois o cara deu o maior desfalque em todas as produtoras e desapareceu do mapa.

Enquanto isso, os representantes de centenas de outras empresas - que muitas vezes são as que cumprem com todos os compromissos - permanecem anônimas, são tratadas de qualquer jeito, porque não são "importantes" para o ramo.

Tuesday, February 28, 2006

Trabalho e trabalhos

Dizer que qualquer trabalho é igual é desconhecer a natureza das diversas ocupações. Tem gente que é colocado numa redoma e passa a achar que a vida é aquilo, rapidamente esquece que existe uma "vida real lá fora", onde tudo é mais complicado, onde pequenas preocupações, ausentes de quem vive na redoma, passam a ocupar o dia-a-dia de quem vive "lá fora". Coisas simples com garantir o arroz e o feijão de cada dia, - que não é fornecido pelo governo - o colégio das crianças, a condução, segurança, médico, hospital e remédios, tudo coisas, que aqueles que vivem dentro da redoma, "fora da vida real lá de fora", esquecem que é preciso lutar no dia-a-dia, todos os dias.

Nosso "amado e cada vez mais, sempre mais, querido presidente", declarou que "por ele não tirava mais férias", e que "nem sabe porque as pessoas tiram férias". Talvez porque ele tenha trabalhado pouco tempo na vida, aposentadoria precoce, sabe como é se aposentar com apenas três anos de trabalho não é para qualquer um, dá nisso, pouco trabalho, depois fica dando essa vontade "disgramada" de trabalhar. Mas não é todo mundo que trabalhou pouco assim, viu Sr. Presidente, tem gente, - eu inclusive - que trabalhou em dois empregos, que financiou os estudos, viu Sr. Presidente, que não teve preguiça "disgramada" de ler e se formou em faculdade pagando com o esforço do próprio trabalho. E nunca foi político, viu Sr. Presidente, sempre teve que trabalhar para ter as coisas.

Volta e meia a gente tem que ouvir cada uma, que parece até duas... Contando não acreditam...

Tuesday, February 21, 2006

Provando novas teses

A continuar nesse ritmo, o resultado das CPI's poderá surpreender muitos cidadãos brasileiros, mas não os cidadãos do Rio Grande do Sul, os gaúchos já provaram e sabem que existe crime perfeito. Pela simples razão de que é muito difícil de comprovar judicialmente os desvios cometidos, quando aqueles que cometeram os desvios tomam um série de cuidados.

Certos indícios são veementes, aqui no Rio Grande do Sul, passamos por uma CPI que descobriu doações para a compra da sede de um partido em que nenhuma uma única doação - vou repetir - nem uma única doação sequer - foi efetuada em cheque, todas as doações, independente dos valores doados, fossem altos, médios e pequenos, foram feitas com dinheiro vivo.

Quem acredita na regularidade de algo dessa tipo, doações em que nenhum dos doadores utiliza um cheque em pleno século 21, também tem que obrigatoriamente acreditar no Papai Noel, no Coelhinho da Páscoa, na Fada do Dentre, isso pelo mínimo. Mas, apesar dessa descoberta, a origem do dinheiro, que se supõe que fosse de uma fonte escusa nunca ficou devidamente esclarecida, qual a marca do dinheiro vivo?

Agora com esse mensalão, com milhões de operações bancárias para acobertar as movimentações, com alguns testas de ferro recebendo em nome de outros, com muitos recebendo em dinheiro vivo, apesar de alguma coisa ser provada, onde está a origem de todo esse dinheiro? É claro que foi montada toda uma artimanha para acobertar as tramóias e, embora o governo diga que vai cortar na carne e blá, blá, blá, joga sempre na defesa, tentando impedir que se chegue a qualquer conclusão, isso é mais do óbvio.

É bom mudar de concepção, porque dentro desse padrão de investigação, existe o crime perfeito, e existirão novos crimes perfeitos que teremos de enfrentar.

Saturday, February 18, 2006

Defendendo a canalhice

Acabar com nepotismo é algo tão óbvio como acabar com a corrupção, ninguém pode fazer do público privado, o cuidado com o bem público tem que ser imensamente maior do que o cuidado com o privado. Não há o que discutir nesse ponto. Levantar teses como a confiança, competência, etc, é querer ver consagrado o princípio da canalhice, porque é preciso ser no mínimo canalha para defender algo indefensável, para querer continuar se locupletando com o dinheiro público. E tem alguns que nem ficam com a cara vermelha.

Esse é o nosso problema, nossos homens públicos defendem sem a menor cerimônia o indefensável, não adianta anuir argumentos de que o nepotismo é necessário pela probidade, ou confiança, quando estes são qualificativos inerentes a qualquer funcionário público. Só o parente, só a mulher, só o filho é digno de confiança, o resto é um bando de corruptos, de indignos. O que é isso? Isso lá é defesa que se apresente? As normas, os regimentos, as leis estão aí para serem cumpridos, inclusive aqueles que proíbem o nepotismo! Que nem precisaria de lei para proibir, bastaria ter vergonha na cara para ser evitado.

Como vou confiar num representante que não é meu parente? Partindo do princípio de que quem não é parente não é digno de confiança, nem é probo, então todos os deputados e senadores que atualmente estão me representando no Congresso Nacional não merecem a minha confiança. Não tenho nenhum parente lá, logicamente não posso confiar em ninguém. Viram como tudo é um sofisma? Repito: não há formas de defender o que é indefensável.

É o que nos falta, vergonha na cara, uma mercadoria em constante falta nas instituições brasileiras, na cara dos nossos homens públicos, que advogam uma moral particular, toda própria, diferente da moral do homem comum, que permite tudo, até o imoral ou o amoral. Não faz muito convivemos com um presidente da câmara dos deputados que fazia pouco da nossa inteligência, e, por diminuta inteligência, deixou transparecer a forma como pensam os nossos representantes, e ele serve de paradigma, de modelo.

Mas um dia, quem sabe? Um dia... quem sabe no dia do juízo final?

Wednesday, February 15, 2006

Acertando o passo

Ninguém disse que você não pode ter um blog de sucesso só com textos. O primeiro desafio que você vai ter que enfrentar é da qualidade. Se o único produto que você tem para oferecer é texto, ele tem de ser de muita qualidade. Assuntos interessantes, que prendam a atenção, sem ser chorosos, não sejam fúteis, nem muito sérios, sejam bem humorados, mas sem exageros. Em suma, achar o ponto certo não será tarefa fácil.

Até aí morreu neves, dirão vocês com minha total concordância. Todos sabem que fazer algo de qualidade não é fácil (ou exige um talento inato, para quem textos como esses brotam pelos poros). Infelizmente não é o meu caso, que até consigo fazer alguns textos mais ou menos, mas que quando ficam assim é porque me deram trabalho demais. E eu afirmo que qualidade assim não é muito vantajosa, como quem mede um consumo: é muita gota de suór por linha teclada.

O pessoal mais esperto já descobriu um segredinho dos blogs, e que acerta em cheio no "gosto" dessa geração atual: uma geração que adora ver e detesta ler, ou como diz o nosso amado presidente: "tem uma preguiça desgramada(sic) de ler". Apelar para o visual significa colocar muita imagem bonita nos blogs; ou como diz a minha sogra querida, filme bom é filme "bem colorido"; daí que blog bom é "blog bem colorido". O segredo é fazer um blog bem colorido, com muito vermelho, maravilha, cenoura, amarelo, tons chamativos, quentes.

Porque no caso dos bons textos, não bastará escrevê-los, criá-los, você ainda terá pela frente uma árdua tarefa, que é atrair uma galera disposta a lê-los, e isso, meus amigos, não será tarefa fácil!

Sunday, February 12, 2006

Notícias

São apenas notícias, dizem que gastaram 300 mil reais para mandar colocar um bar no aeropinguço, quer dizer, no Aerolula, mas o ministro Furlan diz que não é um bar, que ele nem bebe há 40 dias. Não sei bem o que isso significa, será que antes desses quarenta dias o trago andava correndo solto? Não afirmo nada, sei lá, de repente me expulsam para algum lugar, sabe como é, já expulsaram até repórter americano por causa dessa história de bêbado e de bebidas. E eu nem bebo!

Por falar no homem, ele anda pela África - como ele adora andar pelo continente africano, não é mesmo? - dizendo que o País está endividado com os africanos. Pelo que eu sei nós não devemos um centavo sequer para os países africanos, eu pelo menos não devo; e nem dou procuração para que ele - ou quem quer que seja - assuma em meu nome dívidas que não contraímos formalmente. Se ele quiser contrair alguma dívida, que o faça em seu nome pessoal (ou vá fazer política com argumentos mais inteligentes!).

Ele tem essas manias, isso não é novidade, ele costuma fazer bondades em nome do povo brasileiro, perdoa dívidas, e andou até doando navios e equipamentos. No dizer popular a gente chama isso de "cumprimentar com o chapéu dos outros". Eu confesso que não conheço a legislação à respeito, mas acho que para certas coisas, nem é questão de legislação, é questão de ter o que se chama de "semancol ou sefragol".

Thursday, February 09, 2006

As revoluções e o desenvolvimento

"A vida dos povos prova a necessidade de repetições que impressionem. Acumulações de ruínas e torrentes de sangue são, por vezes, necessárias para que a alma de uma raça assimile certas verdades experimentais". - Gustave Le Bon, in "As Opiniões e as Crenças"

As reconhecidas e persistentes dificuldades da nação, que atravessa os séculos e não consegue atingir um padrão aceitável de desenvolvimento, só serão superadas por uma ação coletiva resultante da conscientização do povo.

Alguns historiadores e filósofos defendem, a exemplo de Gustave Le Bon - autor do pensamento do primeiro parágrafo - que essa conscientização depende de uma aprendizado advindo da repetição de situações traumáticas que marquem fundo a alma desse povo.

Não é incomum essa idéia de que "sem derramamento de sangue" não há a formação de um caráter nacional que impulsione o desenvolvimento de um país. Certos valores morais, éticos, parecem ser aprendidos com esses infortúnios. "Não vamos mais repetir nossos erros, porque eu perdi meu ..." é a frase que fica marcada nos corações e mentes, contendo no seu final o nome de um ente querido perdido numa batalha qualquer.

É uma maneira terrível de se aprender, pré-histórica e desumana. Dizer-se que o homem precisa da guerra para adquirir certos padrões morais chega às raias do absurdo. Mas, infelizmente, é uma tese que vem se comprovando pelo estudo da história. Como diz Le Bon: "Todas as nações verificam, desde as origens do mundo, que a anarquia termina pela ditadura. Mas dessa eterna lição elas não tiram qualquer proveito".

Quando ocorre, porém, um derramamento de sangue a lição é imediatamente aprendida, e desse ponto em diante nunca mais cometem o mesmo erro.

Thursday, February 02, 2006

Grande Google!

Estava invejando um pouco da juventude bem-sucedida dos dois fundadores do Google, que atualmente estão no Brasil conhecendo o projeto nacional de uma fonte de combustível alternativo ao petróleo a base de metanol.

Estavam em Davos - na Suiça - participando do Forum Econômico Mundial e vieram direto para o Brasil, motivados pela notícia dessa fonte alternativa, que é renovável e muito menos poluidora do que o petróleo, o metanol.

O Google fechou o exercício de 2005 com um lucro bruto de seis e meio bilhão de dólares, nada mal para um projeto que começou há poucos anos sem maiores pretensões. Viram o quanto pode valer o algorítmo certo, na hora certa e no lugar certo?

Monday, January 30, 2006

Falhas

Os aplicativos, os utilitários na internet estão falhando muito. Provavelmente porque foram mal desenvolvidos, e por isso possuem bugs, defeitos que fazem com que não funcionem direito. Não sei se a culpa é de um certo atropelo ao fazer as coisas, pouca mão de obra - as infernais otimizações de pessoal com redução de custos! - ou se é algo com a diminuição da capacidade técnica do pessoal.

Já nem falo em falhas sob o ponto de vista da incompletude, por estarem faltando aplicativos ou módulos, falo de falhas grosseiras. Hoje mesmo perdi um tempão com este tipo de aplicativo. Faço o upload de algumas imagens (10) e as identifico com uma "tag" (identificador) comum, no caso foi "movies". Quando vou fazer um aplicativo o sistema pergunta: selecionar as imagens por tag? Respondo que sim e coloco no espaço "movies". O sistema responde que não tenho imagens com esta tag (?).

Vou num outro aplicativo e mando pesquisar por tag, coloco "movies" e o sistema retorna as 10 imagens que fiz o upload! Para um aplicativo existe a tag movies, para outro não, dá para entender? Em tudo isso você perde tempo; primeiro porque inicialmente você acha que foi um erro seu; e depois porque você quebra a cabeça para contornar o defeito do programa. Algo que era para ser feito em 2 minutos, demora uma hora.

Outro geranciador de blog só aceita uma imagem por post. É, não importa o tamanho em pixels ou o tamanho em bytes, uma imagem só. Se você quiser colocar duas, troque de hospedeiro, vá para outro lugar, qual a lógica disso?