Saturday, August 19, 2006

Crimes Perfeitos

Engana-se quem não acredita na existência dos chamados crimes perfeitos. Nosso país é o que se pode chamar de um verdadeiro celeiro dos crimes perfeitos. Ou é o perfeito exemplo de que eles existêm. E em profusão. Sem querer apelar para uma precisão de que não disponho, pode-se afirmar que os crimes perfeitos - aqueles em que o autor não recebe nenhum tipo de sansão; ou aqueles que acabam terminando em pizza - andam na casa dos 95% ou mais por aqui.

Por isso é que se pode afirmar que por aqui o crime compensa: os autores cometem os delitos na certeza de que restarão impunes, na certeza de que não terão de pagar pelos delitos cometidos; ou, na pior das hipóteses, que terão de pagar um valor não adequado, não equivalente com o delito cometido.

Por uma série de distorções da nossa legislação, crimes que em outras sociedades representam penas privativas de liberdade de 20 ou mais anos, aqui são pagas com 3 ou 4 anos, depois que são concedidas uma série de benefícios aos infratores, o que se constitue em um verdadeiro incentivo ao crime. Depois a "sociedade" não sabe porque o crime anda aumentando tanto...

Tuesday, August 01, 2006

Definições

Certas coisas devem restar definidas: É preciso preparo intelectual para ser presidente da república? É uma defesa suficiente para ser candidato a qualquer cargo público a afirmação de que "os nossos podem ser desonestos, mas os outros também foram"? Se não há necessidade de preparo, se qualquer néscio pode ser presidente da república, se o critério de probidade para os cargos públicos não é a honestidade, mas a precedência de iguais, então tudo está muito bem!

Saturday, July 22, 2006

Esquiar no verão!

10/11/1999 - Há sete anos publiquei no Showcar (http://www.geocities.com/show_cars/news/sn_991011.htm), uma página minha na Geocities sobre automóveis e automobilismo, um artigo com este título, "Esquiar no Verão", que versava sobre a nossa mania, burra, de programar todos eventos na temporada de inverno, deixando a temporada de férias sem programação:

Incorporamos às avessas as culturas dos outros países. Nos aproximamos do período em que a maioria dos brasileiros estão de férias, o final do ano. Férias passou a significar o período em que nada ou quase nada acontece no terreno esportivo. Os campeonatos das diversas modalidades são interrompidos. Não há futebol, competições automobilísticas, quase tudo que se refere ao esporte é paralisado. É um contra-senso que justamente na época do ano em que todos tem mais disponibilidade de tempo para o lazer ele não esteja disponível.

O forte da temporada dos diversos certames mundiais coincide justamente com o período de férias do local onde são realizados. Como o período climático mais favorável é o verão, é nele que as coisas realmente acontecem. São países onde a rigidez do inverno impossibilita a realização de eventos à céu aberto. Lógico e compreensível que assim ocorra, só não é compreensível que os nossos campeonatos sigam a regra às avessas.

Resumindo, sendo o verão o melhor clima para as férias e para a realização dos eventos esportivos, os países do hemisfério norte unem o prático ao agradável: as condições favoráveis de tempo com a disponibilidade de todos para o lazer.

Aqui do outro lado do planeta, com condições para a realização de eventos o ano todo, quase tudo acontece no inverno, no verão, quando temos disponibilidade de tempo, sem nada para fazer nós descansamos, ou quem sabe, para continuarmos imitando os paises do hemisfério norte, já que lá é epoca de esportes de inverno, arriscaremos um passeio até a Cordilheira dos Andes para praticar esqui ou escalada de montanha.
E está se repetindo, como sempre, esse fenômeno. Estamos na época das férias no hemisfério norte, e já a realização da Copa do Mundo de Futebol na Alemanha, o Tour de France, os Torneios de Tênis do Grand Slan, os grandes Majors do Golfe, etc. Certo, afinal de contas é a época certa para a realização de eventos, porque é verão na europa.

O brabo será quando chegar o nosso verão, vamos entrar no marasmo de sempre, de não ter programação alguma para assistir; não haverá eventos na europa, lógico!, lá será inverno e não haverá eventos aqui, porque gostamos de copiar os europeus em tudo, até mesmo quando essa cópia é às avessas!

Thursday, June 29, 2006

Marcas que incomodam

Essas marcas e recordes que apareceram este ano na seleção brasileira só incomodam. Goleador, jogador com o maior número de partidas, com maior número de vitórias, e até um zagueiro que tenta jogar o mundial sem cometer uma falta. Essa última então, contrariam a frase "zagueiro que se preza não ganha o Belfort Duarte" pode por todo o trabalho a perder. No último jogo contra Gana foi visível a preocupação de Lúcio em não cometer a falta.

E se em algum lance acontecer a necessidade de que a falta seja cometida para impedir um gol? Certamente o adversário fará o gol para que não se prejudique o objetivo máximo do atleta, que não é ganhar o título, mas completar a competição sem o cometimento de faltas. Isso é só um exemplo, mas não há como deixar de sentir que esse tipo de ideal secundário acaba atrapalhando o principal que é a conquista do título.

Ah! Nosso técnico não engana ninguém querendo encobrir o fato de que o time joga mal com o argumento - falacioso - de que "ganhar é show". Ninguém está exigindo que o time dê shows, mas só que jogue bem. Até agora, em algumas situações jogamos mal e, apesar disso, ganhamos, mas até quando?

Monday, June 19, 2006

Utilidade da Copa

Não se fala mais em mensalão, em corrupção, em sanguessuga, a sensação que se tem é que todos os nossos problemas foram magicamente solucionados com esse imenso circo que é a copa do mundo. Não se fala em outra coisa, não se pensa em outra coisa, tudo é copa, tudo é Ronaldinho gorducho e os seus problemas, a luta para conquistar o hexacampeonato.

Importante tudo isso, porque ser campeão mundial de futebol representa muita coisa para esse povo. Representa... representa... representa... bem, representa ser primeiro em alguma coisa nesse mundo que não seja alguma desgraça, como ser primeiro no mundo em má distribuição da renda nacional, ou detentores da maior taxa de juros do mundo ou do maior índice de criminalidade.

Para isso presta uma copa do mundo de futebol. Só para isso.

Wednesday, June 14, 2006

Blogar sobre futebol?

E por que não? Afinal, esse é o país do futebol. Eu achei até bonitinha e emocionante a imagem do velho Zagallo em terras alemãs segurando a imagem de Santo Antonio, recebendo um gordo salário para ser o responsável pela nossa superstição, ele é assessor para assuntos de superstição, enquanto os outros trabalham ele fica calculando tudo o que dá 13. Será que ele tem um salário de 13 digítos?

Wednesday, June 07, 2006

Você viu?

- Você viu o que aconteceu ontem no Senado Federal?
- O quê?
- No Senado, a quebradeira.
- Teve quebradeira é.
- Teve, você não soube nada a respeito?
- É parece que houve alguma coisa por lá, mas sinceramente não sei e nem me interessa saber...

Tuesday, May 30, 2006

Palavrórios

Fala-se muito em disciplinar as regras do jogo, fala-se muito em torná-las mais estritas, restritas, transparentes, tudo porque numa competição em que a ética não entra nem como figura decorativa, as regras devem ser mesmo muito rigorosas. Poder-se-ia criar mesmo uma lei sobre isso: quanto mais canalhas forem os contendores, mais rigorosas, menos elásticas devem ser as leis do jogo.

É certo supor que numa competição onde reine a ética, certas normas são até dispensáveis, aquelas que os contendores já trazem do berço. Mas, quando se trata de disciplinar disputas entre canalhas, o bom é se prever a ocorrência de qualquer jogada suja, porque a presunção de que ele possa ocorrer é quase uma certeza. Não basta subtender-se que "enfiar o dedo no olho do adversário" é jogada suja, precisa um dispositivo dizendo isso e a previsão de sanções para quem praticar o ato.

Isso tudo porque ninguém pode dar aquilo que não têm, ninguém pode ter um comportamento ético se não tem uma vida regrada por ela. No nosso caso somos todos culpados, somos todos dominados por essa inclinação pelo mal, e faremos o mal, a não ser que sejamos muito bem controlados, muito bem vigiados. Lembram daquele ditado que diz "a ocasião faz o ladrão"? Para não sermos só tem um jeito: não nos dêem a ocasião!

Wednesday, May 24, 2006

O Segredo

O segredo é escrever pouco e dizer muito: muito! Brincadeira, mas encerra uma verdade. O poder de concisão é uma virtude, uma necessidade nesse mundo em que todos tem pressa: pressa! O tempo urge, pois qualquer um sabe que hoje o tempo passa mais depressa, na outra ponta, a vida é curta: curta!

Uma vida curta exige muita pressa!

Tuesday, May 16, 2006

A esperança

Um vez fui classificado como uma espécie de cavaleiro da desesperança por uma leitora, por alguém que comentou um dos meus blogs. Eu entendi perfeitamente a posição da leitora, alguém jovem, que ainda não viveu esse tanto de anos que eu vivi, que ainda não leu esse tanto que já li, que ainda não ouviu esse tanto de promessas que já ouvi, que ainda não se decepcionou esse tanto que eu me decepcionei.

Ela tinha a sua razão, cada um tem direito de viver as suas próprias decepções, sem que alguém antecipe aquilo que ela vai passar, só pela experiência que tem da vida. Soa com dizer a uma criança que somos mortais, que um dia todos nós vamos morrer, o típico caso da verdade dita fora de hora, ou na hora imprópria. Ocorre que, a única diferença é que eu não estava dizendo aquilo especificamente para ela, eu não mirei a criança quando escrevi, mas é difícil - para não dizer que é impossível - saber quem será atingido pelo que se escreve nessa grande rede.

Deveria haver uma maneira de colacar uma espécie de filtro, algo que impedisse o imaturo, ou o não preparado de ler aquilo que não está no seu nível, ao seu alcance. Ainda não temos tecnologia para isso, mas, quem sabe, um dia chegaremos lá, uma espécia de scanner que, examinando o olho de quem está frente ao monitor, só libere o conteúdo que lhe é apropriado.

Só como uma nota, um adendo ao assunto, veja o quanto somos um país "sui generis": agora mesmo, nesse exato momento, o locutor de um noticiário televisivo interrompeu o programa, para dar uma edição extraordinária. Eu logo pensei em alguma coisa grave no país. Não era, era a convocação da seleção de futebol de PORTUGAL!, isso mesmo que você leu, a convocação da seleção de Portugal! Qual outro país faria isso? Interromper um jornal, para dar em edição extraordinária, a leitura da relação dos atletas convocados de Portugal! Definitivamente DeGaulle tinha razão, esse não é um país sério!

Voltando ao assunto anterior, só para concluir, o assunto que irritou a moça que fez o comentário citado, foi que eu escrevi que o Brasil era o País do Futuro do Pretérito, posto que esse futuro prometido há décadas nunca se tornava uma realidade do presente, ia sendo adiado indefinidamente.

Thursday, May 11, 2006

Sanguessuga.

Não enche - Caetano Veloso
Harpia, aranha
sabedoria de rapina e de enredar, de enredar.
Perua, piranha
minha energia é que mantém você suspensa no ar
Pra rua!, se manda
sai do meu sangue, sanguessuga, que só sabe sugar.
Pirata, malandra
me deixa gozar, me deixa gozar
me deixa gozar, me deixa gozar.


Uma sanguessuga é um anelídeo da sub-classe Hirudinea (também chamados aquetas) que se alimenta de sangue de outros animais (hematófago). São animais hermafroditos, desprovidos de cerdas e que possuem ventosas para sua fixação. São assim chamados por produzirem uma substância anticoagulante denominada hirudina. Existem mais de 300 espécies.

Alimenta-se do sangue das suas vítimas. Pode ingerir uma quantidade de sangue 10 vezes superior ao seu próprio volume. Ao aderir ao corpo do ser vivo de que se alimenta, segrega um anticoagulante que leva o sangue a circular sem estancar. A sanguessuga não é apenas hematófaga, muitas espécies podem ser predadoras alimentando-se de vermes, caramujos e larvas de insetos.

Podem ser encontradas em todo o mundo, geralmente na água doce. Existem também algumas espécies marinhas e outras que vivem na lama. Nas zonas tropicais existem espécies arbóreas que caem sobre as vítimas. Preferem lagos, lagoas, rios calmos de água quente.

Tuesday, May 02, 2006

Sem remédio

Usar como forma de protesto a greve de fome parece um retrocesso numa sociedade que se diz civilizada. A não ser que alguém me convença do contrário, greve de fome tem cheiro de idade média. Imolar-se em prol de uma causa, será esse o sentido de quem inicia uma dieta com finalidade política? A alegação de quem usa desse mecanismo é o reconhecimento da pequenez ante um grande poder, a alegação de Garotinho se situa nessa linha, segundo ele a grande imprensa quer derrubá-lo.

Teríamos que saber quais são as motivações políticas da imprensa para querer derrubá-lo, quais as vantagens ou qual o medo que teria a imprensa de Garotinho. Responder a uma acusação reail sobre a sua conduta com uma greve de fome não parece ser o meio mais eficiente ou o mais apropriado. A medida pode até render votos junto ao seu eleitorado, ou uma silhueta mais esguia, mas não é a forma própria de defesa de uma acusação - justa ou injusta - contra a sua pessoa.

Há que se considerar que ele não é o único a ser acusado, se todos usassem desse mesmo método nós teríamos uma multidão em regimes de fome. O sem remédio do título, refere-se ao próprio candidato garotinho - que sempre está às voltas com alguma polêmica - e ao PMDB, que na minha acepção é só uma ficção, já não existe mais como partido. Como um grande monstrengo que veio do passado, ele sua uma certa inércia para ainda andar, mas por quanto tempo?

Thursday, April 27, 2006

Notícias

Ainda bem que o termo não vem do inglês, "news", pois as notícias de hoje não são o que se pode chamar de novidades. Na Camara dos Deputados, o presidente, com seu estimulante vozeirão, anunciou que a verba de combustível não pode ultrapassar os 30% do total da verba que cada deputado recebe para as despesas. Convenhamos que é pouco rigorismo para combater mais uma das sacanagens dos excelentissímos senhores dePUTAdos federais. O povo já está de saco cheio dos políticos e das suas maracutais, é uma em cima da outra, a canalhice é interminável.

No julgamento da freira assassinada em Anapu, fez-se a justiça, condenando-se o articulador do crime, aquele que negociou o assassinato da irmã, intermediando mandantes e executores. O único senão em tudo isso é essa participação popular nos julgamentos. Essa presença maciça de ongs, de partidos políticos e de movimentos, que funciona como um argumtno de pressão para que "se faça a justiça" não sei se é coisa boa. A mim me parece, sem entrar em nenhum caso específico, que a justiça deve funcionar com isenção de qualquer forma de pressão.

Na Bolívia, o índio cocalero presidente continua aprontando das suas. Agora está expulsando uma metalúrgica brasileira que estava se instalando no país. Independente das razões que possa ter para motivar a atitude tomada, a declaração de que "não há diálogo, a não ser a nacionalização da empresa". A Petrobrás já está pagando os seus pecados. Segue a trajetória chaviana que usa a democracia para acabar com a democracia, encerra bem a doutrina dos vermilhinhos, certos estão os que dizem "nego em nome dos vossos princípios, os princípios que me exigis em nome dos meus".

Thursday, April 20, 2006

Palavras e palavrões

Sempre gostei de merda. Não, não me entendam mal, não da coisa em si, mas do vocábulo, acho que merda tem uma sonoridade especial, poderia até designar uma coisa boa, algo agradável, mas designa, vocês sabem, só caca, só merda. Tem até uma certa inveja dos atores de teatro, eles desejam merda uns aos outros, para dar sorte. Ao contrário senso, sorvete, por exemplo, apesar de ser uma coisa boa, algo agradável a quatro dos sentidos, aos olhos, ao olfato, ao tato e ao paladar, peca no sentido da audição, sorvete tem som de merda, não da palavra merda, que esta tem som, ao sentido da audição, de sorvete. Sorvete soa como aquilo, como o significado literal de merda, merda merda mesmo.

Assim são as palavras, cada uma com a sua característica. Muita gente fala que saudade é uma palavra bonita, não sei, mas sinto mais saudade quando falo em nostalgia. Querem um outro exemplo de palavrão, no mau sentido? Cabedal! Onde já se viu cabedal! Ele tem um grande cabedal. Quem é que pode com isso? Um palavrão desses deveria ser proibido, deveria ser banito do idioma. Pensando bem, acho que vou fazer um movimento para banir cabedal do nosso idioma.

Acho que os palavrões do momento são mensalão e pizza. Eu até concordo que chamar as mutretas armadas por aquela cambada de sacana de pizza é mau gosto; as pizzas, que são tão saborosas, não mereciam esse triste destino, mereciam melhor sorte. Como diz um grupo de amigo, porque não "buchada de bode"? Combinava mais com essa turma, não acham?

Monday, April 17, 2006

Acordos tácitos

Acordos tácitos - do Lat.tacitu, calado; adj., silencioso; calado; taciturno; secreto; subentendido; implícito. Será esse o nome apropriado? - nunca funcionam direito. Eu faço a minha parte e parto do princípio de que o outro lado fará a sua parte, agirá de acordo com a tradição. Isso deveria funcionar, mas a prática tem demonstrado que não é bem assim, que não tem funcionado.

Lembro uma piada dos tempos da Copa do Mundo de Futebol de 1958 ou 1962, que ilustra bem o funcionamento estes acordos tácitos. Vicente Feola era o técnico da seleção e Garrincha o nosso ponteiro direito. Feola explicava para Garrinha como ele deveria fazer, que ele deveria driblar o lateral esquerdo e cruzar a bola para a área, onde Pelé apareceria para fazer os gols. Garrincha responde para Feola: "Seu Feola, por mim tudo bem, mas já combinaram isso com o lateral deles?"

A oposição tentou celebrar vários desses acordos com a nossa população e, até agora, a coisa não funcionou como ela esperava. Apontou o presidente, indicou-o como o mentor intelectual da prática do mensalão, como o responsável por toda essa armação para continuar no poder. Faltava que a população fizesse a sua parte, desse a resposta: exigindo um impeachment do presidente, ou, na pior das hipóteses, respondesse com uma queda violenta dos percentuais de aprovação de Lula nas pesquisas eleitorais. Resultado: nem numa coisa, nem a outra.

Tudo indicava que deveria ser assim, como num jogo com regras estabelecidas, a uma ação determinada deveria corresponder uma reação apropriada, para uma proposição, deveria haver conseqüências; tudo dentro do que mandam as boas regras da lógica acadêmica; mas eles esqueceram de um pequeno detalhe: era um acordo tácito com o povo, que usa regras lógicas estranhas e diferentes, e esqueceram de combinar isso com esse povo.

Thursday, March 30, 2006

Acontecimentos

Quebraram irregularmente o sigilo bancário do caseiro Francenildo, o que acabou ocasionando a mudança de Ministro da Fazenda, saiu Palocci e entra Mantega, foi lido o relatório da CPMI dos Correios, que incriminou todo mundo e, como se isso fosse possível, ao mesmo tempo, ninguém - pois que ninguém acredita que vá sobrar alguma coisa para alguém nesse paraíso da impunidade -, nosso astronauta foi para o espaço com a sua passagem de 20 milhões de dólares, a baiana Mara ganhou o BBB6, o famoso Picolé de Chuchu é o candidato do PSDB à presidência da república, Garotinho conseguiu fazer mais uma molecagem, derrubando Rigotto e se tornando o candidato à presidência pelo PMDB - ninguém sabe até quando - com a metade dos votos e uma matemática muito da malandra.

E tudo isso aconteceu nesses dez dias, desde o meu último post nesse Bandeide, em que eu falava que o PT se defendia das acusações dizendo que os outros "faziam a mesma coisa". Hoje ouvi a notícia de que o tal de Paulo Okamoto está fugindo dos oficiais de justiça que tentam intimá-lo, partindo-se do conhecido princípio de "quem não deve, não teme", esse é um bom indício de como deve andar a consciência do homem que paga todas as contas do presidente porque é bonzinho.

Escrevi num outro blog sobre a impossibilidade de esperar-se que petistas admitam seus erros, não é do feitio, nem da educação de suas hostes. Eles preferem a tática de que todos fazem a "mesma coisa". Do ponto de vista ético, significa o mesmo que matar alguém e dizer que os presídios estão cheios de gente que fizeram a "mesma coisa". Sabe quando vão se emendar desse jeito?

Monday, March 20, 2006

A tese da mesma coisa

Vale como argumento de defesa a tese de que "os outros também faziam a mesma coisa"? Eu grifei esse mesma coisa porque contido nele estão todos os defeitos seculares, todas as irregularidades que as nossas administrações públicas sempre cometem contra o povo.

Esse "mesma coisa" é um ente podre, em cujo teor se encontra a corrupção, vários crimes, o desrespeito às normas mais elementares da constituição do país, a falta de ética, a mentira aplicada descaradamente no povo, o uso da máquina estatal em proveito próprio, etc.

Para os que estão no poder esse mesma coisa (que equivale a "farinha do mesmo saco") já é considerado um grande argumento de defesa. Ficam contentes nossos governistas quando se defendem ao abrigo da tese da mesma coisa. Aqueles que há alguns anos propugnavam que eram diferentes, que eram os únicos honestos, hoje se satisfazem em ser apenas a "mesma coisa".

Fica difícil pedir voto, propugnar uma reeleição baseada nessa mesma coisa. Qual a vantagem de votar em alguém que propõe a ser "farinha do mesmo saco"? Agora mesmo, quando da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro da "casa dos malvados e das malvadezas - da casa dos mesmas coisas", alguns disseram que outros também havia feito o mesmo, a mesma coisa.

E não foi só com este caso, mas com tudo, com o uso do caixa dois no partido, com o desvio da verba das estatais, com a interferência nos fundos de pensão, com a verba da publicidade governamental, com o uso do aparelho estatal em proveito partidário, com o empreguismo para a cumpanheirada, empregos para filhos e familiares, tudo a sempre a mesma coisa.

Se a intenção é fazer a mesma coisa, eu sugiro que abandonem a política e vão fazer outra coisa na vida...

Monday, March 13, 2006

Que cada um pague a sua conta.

Eu escrevi no outro blog que não preciso mais agir com o que eu chamo de "cinismo da boa convivência". Vocês sabem o que é isso? É o que impede as pessoas de serem 100% honestas, de dizerem o que pensam. Assim, o empregado não pode falar do patrão, o amado não pode falar da amada, o comum mortal não pode falar da autoridade. Todos mentem, aquelas mentirinhas da omissão, a insenceridade necessária a boa convivência.

A mulher chega e te pergunta: - Amor, eu tô mais gorda? E agora? O que você vai responder pra a baleia? Vais dizer a verdade? Se disser a verdade, a baleia vaia virar a cara, não vai falar mais contigo, não vai te dar mais - o que pode até ser um favor! Você tem que resolver, ou ser sincero e enfrentar o mamute, ou aplicar a mentira, o "cinismo da boa convivência".

Esse é só um exemplo, existem centenas de outros exemplos semelhantes. Eu disse no outro blog que já superei essa fase, não tenho mais esse ônus, já paguei o ônus e agora o que vier é bonus. Teve um amigo que fez um comentário meio desaforado, eu sei, é difícil ouvir isso, dá dor de cotovêlo, saber que alguém não precisa mais enfrentar esse tipo de coisa dói. Principalmente quando a gente ainda precisa enfrentar.

Antes da inveja, meu amigo, saiba que eu já paguei a minha conta; feliz ou infelizmente essas contas são pessoais e intransferíveis, assim sendo, que cada um pague a sua. Um abraço e até mais.

Sunday, March 05, 2006

Volta e meia!

A gente, ou eu nesse caso, não é mesmo cara-pálida?, uso a palavra com muita liberalidade, amigo, volta e meia estou chamando de meu amigo alguém que conheço fazem apenas cinco minutos. Um mero vocativo? Um hábito, uma maneira de nomear as pessoas? Um desprestígio com a figura dos amigos? Não, nada tão grave, talvez seja só o vocativo mesmo. Feita esta desnecessária digressão com os meus maus hábitos vocacionais, devo dizer que o objetivo deste post é falar mal dos chamados "espaços vips".

Agora mesmo, no carnaval, e antes um pouco, nos shows das grandes bandas de rock, se viu mais uma vez a proliferação dessas malditas pragas elitistas. Deixa eu colocar algumas coisas antes que você me cruxifique! Sei que é necessário um espaço para que as celebridades possam acompanhar os eventos, questão de bom senso, não dá para querer que eles se misturem no meio da massa. Do jeito que a massa caça os seus ídolos - outra asneira! - sei que é necessário separá-los da massa ignara.

Bom, então voltamos a estaca zero, sem solução, dirão vocês. Não, não necessariamente, se a existência de um espaço adequado se justifica, não é obrigatório uma série de coisas. Vamos aos "que seja", ou aos "que não deveriam ser": que seja no melhor lugar da audiência; que seja gratuito para quem já é abastado; que sejam servidos como se fossem nababos por um séquito de escravos.

Não se pode criar pessoas de primeira e de última classe, essa diferença de tratamento não é justificável. Digo mais, até porque esse conceito de celebridade aqui no Brasil é muito elástico - para dizer pouco! Quantas figuras já foram idolatradas, paparicadas, ensebadas, escovadas e depois se viu que eram uns "171" de primeira classe?

Não gosto de colocar experiências pessoais, mas conto essa. Houve uma época em que eu acompanhava o setor das vídeo-locadoras. Nos congressos, feiras, nos eventos do setor, as grandes produtoras davam a maior atenção a determinado empresário aqui de Porto Alegre. O cara tinha tratamento vip, hospedagem, fazia parte da mesa, etc, vocês sabem como isso funciona. Algum tempo depois o cara deu o maior desfalque em todas as produtoras e desapareceu do mapa.

Enquanto isso, os representantes de centenas de outras empresas - que muitas vezes são as que cumprem com todos os compromissos - permanecem anônimas, são tratadas de qualquer jeito, porque não são "importantes" para o ramo.

Tuesday, February 28, 2006

Trabalho e trabalhos

Dizer que qualquer trabalho é igual é desconhecer a natureza das diversas ocupações. Tem gente que é colocado numa redoma e passa a achar que a vida é aquilo, rapidamente esquece que existe uma "vida real lá fora", onde tudo é mais complicado, onde pequenas preocupações, ausentes de quem vive na redoma, passam a ocupar o dia-a-dia de quem vive "lá fora". Coisas simples com garantir o arroz e o feijão de cada dia, - que não é fornecido pelo governo - o colégio das crianças, a condução, segurança, médico, hospital e remédios, tudo coisas, que aqueles que vivem dentro da redoma, "fora da vida real lá de fora", esquecem que é preciso lutar no dia-a-dia, todos os dias.

Nosso "amado e cada vez mais, sempre mais, querido presidente", declarou que "por ele não tirava mais férias", e que "nem sabe porque as pessoas tiram férias". Talvez porque ele tenha trabalhado pouco tempo na vida, aposentadoria precoce, sabe como é se aposentar com apenas três anos de trabalho não é para qualquer um, dá nisso, pouco trabalho, depois fica dando essa vontade "disgramada" de trabalhar. Mas não é todo mundo que trabalhou pouco assim, viu Sr. Presidente, tem gente, - eu inclusive - que trabalhou em dois empregos, que financiou os estudos, viu Sr. Presidente, que não teve preguiça "disgramada" de ler e se formou em faculdade pagando com o esforço do próprio trabalho. E nunca foi político, viu Sr. Presidente, sempre teve que trabalhar para ter as coisas.

Volta e meia a gente tem que ouvir cada uma, que parece até duas... Contando não acreditam...